links unifev

ARTIGOS

EROSÃO E CONSERVAÇÃO DO SOLO NA REGIÃO DE JALES

Jorge Pavam Neto

 

                                                                                                                                                      

RESUMO

O presente artigo busca mostrar o estágio em que se encontra a erosão do solo na região de Jales e as principais práticas de conservação, como plantio direto na palha, embaciamento e terraceamento, que estão sendo utilizadas. Foi estudada também a atuação do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas na região, que está se tornando uma saída para os produtores beneficiados, pois estes realizam benfeitorias em suas propriedades como terracemento, construção de cercas, construção de fossas sépticas, adequação de estradas rurais, entre outras, com 90% de subsídio.

 

Palavras chave: Microbacias, erosão, conservação, práticas conservacionistas, produtores.

 

 

INTRODUÇÃO

  No passado, há cerca de 30 milhões de anos, os homens viam o solo apenas como um lugar onde eles podiam se movimentar e retirar recursos para sua sobrevivência como alimentos, utensílios, entre outros.

Por volta de 10000 anos atrás, a maior parte dos humanos começou a fixar-se em determinados territórios e iniciou o cultivo de plantas para obter mais facilmente parte de seus alimentos. De nômade, passou a se firmar e defender determinada porção de terra, e também aprimorou seus conhecimentos sobre solo e agricultura, passando a produzir cada vez mais.

O homem tem sido capaz de bater recordes de produtividade na agricultura, mas tem se esquecido de aliar isso com a conservação do solo em que está trabalhando. Está ocorrendo o manejo inadequado do solo e uma mecanização intensa e desordenada, associada a sistemas agrícolas de monoculturas. Assim vê-se o solo sendo esgotado e transportado através da enxurrada para os mananciais, assoreando-os, e pouco está sendo feito para reverter este quadro. Este problema é muito mais preocupante em regiões de solos arenosos, pois devido sua maior porosidade, a baixa proporção de partículas argilosas e o baixo teor de matéria orgânica que atuam como uma ligação entre as partículas maiores, é mais susceptível à erosão do que solos argilosos.

Os problemas da erosão no Brasil são uma combinação de vários fatores como cultivo excessivo e incorreto, solos frágeis e um regime climático úmido (clima tropical), onde os totais pluviométricos são bem mais elevados do que em outras regiões do planeta. Os processos responsáveis pela erosão não são somente físicos, mas também sócio-econômicos. A erosão ocorre não apenas devido à intensidade das chuvas, mas porque ficam desprotegidos de cobertura vegetal e, consequentemente, as chuvas incidem diretamente sobre a superfície do terreno, além do cultivo de maneira incorreta.

As conseqüências da erosão não se limitam à quantidade de solo perdido e sim ao fato de que estas perdas têm reflexo na degradação física, na perda de fertilidade e uma conseqüente e acentuada queda da produtividade do mesmo. Acontecendo isso, o produtor também ficará descapitalizado, pois perderá os insumos e sementes que previamente  colocou no solo, tendo assim que repor os mesmos.

Para minimizar esse grave problema que está ocorrendo nos solos brasileiros, é necessária uma prevenção da erosão, com práticas conservacionistas adequadas a cada tipo de terreno e uma substituição das práticas de manejo incorreto do solo. Mas isso depende do entendimento de como, onde e porque a erosão ocorre, desde os primórdios.

A agricultura tradicional vem trazendo um sério problema de erosão e perda de solo para a região noroeste paulista, onde se encontra a cidade de Jales. Esse problema se agrava pelo fato do solo dessa região ser arenoso.

Ao longo dos anos, toneladas de solo vem sendo perdidos por ação direta da água da chuva sobre o mesmo e, com o solo, perde-se sua fertilidade, pois a maior parte dos nutrientes se encontram na camada superficial.

Daí a necessidade de conscientizar os produtores dessa região para implantação de práticas conservacionistas em suas propriedades. Fazendo isso, eles obterão benefícios para o solo da sua propriedade que é sua fonte de sustento, como o aumento de disponibilidade de água para as plantas, aumento de vida biológica do solo (artrópodes, moluscos e anelídeos), levando a longo prazo, a uma melhor condição do solo, que irá se refletir em redução da oscilação térmica, aumento do teor de matéria orgânica e disponibilidade de nutrientes, ou seja,  benefícios financeiros, pois a produtividade de sua propriedade aumentará consideravelmente, além de estar conservando os mananciais existentes no entorno, pois toneladas de solo e produtos químicos deixarão de ser lançados nos córregos.

                Dessa forma, o trabalho tem por objetivo mostrar a importância da adoção de práticas conservacionistas na promoção da conservação do solo na região de Jales, através da utilização de medidas que anulam os efeitos do processo de degradação e tragam benefícios para o solo, como terraceamento, plantio direto na palha, embaciamento etc.

A metodologia estruturou-se através de um levantamento bibliográfico sobre tipos de solo, erosão do solo, práticas conservacionistas, entre outras. Esse material foi levantado junto à CATI – Jales, Casa da Agricultura e biblioteca da Unifev. Realizou-se também um trabalho de campo para coletas de informações relacionadas ao tema através de entrevistas junto aos profissionais responsáveis naquela região.

O PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DO SOLO: as etapas da erosão.

O solo quando colocado sob intenso cultivo sofre alterações na sua constituição química (nutrientes, matéria orgânica, ph), física (textura, densidade, porosidade) e biológica (moluscos, anelídeos, artrópodes). A retirada da vegetação que protege o solo, o impacto das gotas de chuva sobre o solo desprotegido, a intensa movimentação de máquinas e implementos, trazem malefícios ao solo, como destruição da fauna do solo, destruição da matéria orgânica, empobrecimento, entre outras. Desse modo, o solo fica mais propenso à erosão do que um solo bem manejado.

A erosão começa no momento em que a primeira gota de chuva cai sobre solo desprotegido. Quando isso ocorre, os agregados se rompem, diminuindo assim seu tamanho. Assim, esses vão preenchendo os poros da superfície do solo, formando uma crosta, provocando sua selagem. Selando a superfície, a infiltração da água da chuva é interrompida, começando assim a formação de poças, que vão ocupando as irregularidades existentes na superfície (figura 1). Depois que estas irregularidades foram preenchidas com água, uma poça começa a se ligar com as outras, começando o escoamento superficial (GUERRA, 2005).

Primeiramente, a água começa a escoar em forma de lençol, ou fluxo laminar, provocando a erosão laminar. A partir do momento que a água ganha velocidade, ocorre o aparecimento de pequenos canais no solo, havendo assim uma concentração do fluxo d’água, aumentando a profundidade e diminuindo sua velocidade, devido à quantidade de sedimentos que são carregadas por esses canais(figura 2).  Nesse estágio, começa a ocorrer o atrito desses sedimentos com o fundo dos canais, aumentando e muito a erosão. Se a chuva for muito intensa, o que pode acontecer é o aparecimento de cabeceiras nesses canais, devido a forte sedimentação ocorrida (figura 3).

Se não houver uma rápida recuperação do local, essa erosão atingirá um estágio muito avançado, tornando-se impossível a sua recuperação. Em alguns casos, a erosão alcança camadas mais profundas do solo e a água aflora no seu interior: é o lençol freático que já aparece; o que se recomenda é vedar o local e fazer o plantio de árvores ao redor, com o intuito de dar estabilidade à erosão e evitar que esta aumente.

 

 AS PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS: os principais tipos de benefícios.

Numa agricultura em que se almeja ganhos significativos e uma perfeita sincronia entre o homem e o meio ambiente, deve haver o uso de práticas conservacionistas.

Com as práticas conservacionistas, pode-se cultivar o solo sem depauperá-lo significativamente, quebrando assim um aparente conflito ecológico que existe entre a agricultura do homem e o equilíbrio do meio ambiente. Essas práticas fazem parte da tecnologia moderna e permitem controlar a erosão, ainda que não a anulem completamente, mas reduzindo-a a proporções insignificantes. (LEPSCH, 2002, p. 160)

Dentre essas práticas, destacam-se três principais: o plantio direto na palha (PDP), o terraceamento e o embaciamento.

Plantio Direto na Palha (PDP)

O plantio direto na palha foi introduzido no Brasil em meados dos anos 1970 e se difundiu nas principais regiões produtoras de grãos. Nesse sistema, a semeadura é feita por um equipamento apropriado, onde a semente é colocada num solo não revolvido. É aberto um sulco com profundidade e largura suficiente para garantir uma boa cobertura e contato da semente com o solo. O controle das ervas daninhas tem que ser feito antes e depois do plantio com o uso de herbicidas apropriados para cada tipo de cultura.

Existem vários requisitos para utilização do plantio direto na palha, dentre eles podemos citar: eliminação da compactação; correção do ph (potencial de Hidrogênio) e níveis de fertilidade; existência  de restevas de culturas anteriores na superfície, que cubram pelo menos 50% do solo. Caso não haja, fazer esta cobertura mediante adubação verde ou plantio de uma gramínea, que deverá ser dessecada para o plantio.

O sistema de plantio direto traz benefícios para o solo e para o agricultor que adota essa prática. Entre as vantagens podem ser citadas menor evaporação e maior disponibilidade de água para as plantas, a redução e estabilização da temperatura do solo, a manutenção ou aumento da fertilidade do solo devido ao maior acúmulo de certos nutrientes, a preservação da estrutura do solo, o aumento da atividade biológica do solo, a redução do consumo de combustível, a eliminação da necessidade de replantio após chuvas torrenciais. Dessa forma, os problemas com erosão do solo são consideravelmente reduzidos.

Terraceamento

Outra prática bastante eficaz no controle da erosão é o terraceamento. Dá-se o nome de terraço, em conservação do solo, a uma prática mecânica de controle à erosão. O terraço é formado por um canal (valeta) e um camalhão (monte de terra) feitos em nível, com o objetivo principal de controlar a erosão. (GALETI, 1984, p.109). Esses terraços são construídos no sentido transversal à inclinação do terreno, o que permite controlar as enxurradas, forçando-as a se infiltrarem no terreno. A distância entre um terraço e outro varia bastante. Para solos mais argilosos, a distância é maior, para solos mais arenosos, a distancia é menor. Isso porque os solos argilosos são mais resistentes à erosão. A distância varia também devido à declividade do terreno, quanto mais inclinado, mais perto uns dos outros devem ser construídos.

Deve-se tomar muito cuidado na construção dos terraços, pois um sistema de terraços mal planejado pode causar mais estragos que benefícios, pois se um camalhão se romper, o mesmo acontecerá com todos os outros abaixo, pois não suportarão o volume da água, causando assim muitos sulcos e erosão.

Embaciamento

O embaciamento é um conjunto de bacias construídas em cada rua da cultura, cada rua deve ter uma bacia. É uma prática de controle à erosão muito eficaz em culturas permanentes como o café e o citrus. Além de barato e fácil de fazer, reduz em mais de 70% as perdas de terra, e retem a água na gleba, evitando que se escoe. (GALETI, 1984, p.225).

A bacia é uma depressão feita no terreno usando-se grade de discos e arado. São rasas, de 5 a 10 cm e largas, do tamanho da rua. Devem estar em nível ou o mais próximo possível dele. As extremidades da bacia devem ser fechadas, para que a água seja retida e possa se infiltrar no terreno. Se as extremidades estiverem abertas, ocorrerão problemas com as estradas, pois toda água será canalizada ali, e certamente haverá erosão.

Além de evitar a erosão, o embaciamento resultará em um aumento nos lucros do agricultor, pois a produtividade de sua lavoura aumentará devido à planta encontrar uma maior disponibilidade de água no solo.

 

O PEMH (PROGRAMA ESTADUAL DE MICROBACIA HIDROGRÁFICA) E SEUS RESULTADOS NA CONSERVAÇÃO DO SOLO NA REGIÃO DE JALES

Antigamente na região de Jales, os produtores na sua maioria, não tinham a preocupação com a preservação do solo em que estavam trabalhando. Preocupavam-se em produzir cada vez mais, visando somente o lucro e deixando o solo e a questão ambiental de lado. Mal sabiam que usando práticas simples de preservação, o solo de sua propriedade não ia sofrer tanto desgaste e a produção de sua lavoura aumentaria consideravelmente.

Mas esse quadro começa a mudar em Jales com a chegada do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, no ano de 1999. Com pouco mais de oito anos de atuação, esse programa já beneficiou três microbacias hidrográficas, das doze existentes na região, totalizando mais de 169 produtores.

 São vários os benefícios oferecidos ao produtor, como: terraceamento, construção de cercas, aquisição de semeadeiras para plantio direto, aquisição de mudas nativas, construção de fossas sépticas, adequação de estradas rurais, aquisição de calcareadeira, abastecedouros comunitários, piqueteamento de pasto, calcário, aquisição de roçadeiras costais e tratorizadas, entre outros. Tudo isso com subsídios de até 90% para pequenos produtores e 60% para médios produtores.

Atualmente, a maioria das propriedades que o programa abrange, estão usufruindo-o. Mas os agrônomos esbarraram em vários problemas, e tiveram que fazer um trabalho de desmistificação com os produtores, pois muitos deles pensavam que certas práticas como o terraceamento e o plantio direto, não trariam benefícios à sua propriedade, e principalmente ao seu bolso. Duvidavam também da credibilidade do programa, pois pensavam que o governo iria querer cobrar de volta o dinheiro dos subsídios. Bastou alguns agricultores acreditarem e o resultado começar a aparecer, que logo houve a adesão da maioria. Hoje, produtores que moram em propriedades pertencentes às microbacias que o programa não atende, cobram e pedem para que o programa passe a atender na sua região.

Há dois anos estão sendo trabalhadas as microbacias do Córrego do Veadinho, Ribeirão Lagoa e Roça, totalizando 136 produtores beneficiados.

A tabela a seguir mostra os benefícios e o total de produtores beneficiados nessas microbacias:

BENEFÍCIOS

TOTAL DE PRODUTORES BENEFICIADOS

Terraço

52

Fossa séptica

11

Abastecedouro

7

Roçadeira costal

3

Cercas

1

Cercas de APP

11

Calcário

8

Adequação e estradas rurais

6

Piquetes

2

Calcariadeira

15

Roçadeira tratorizada

15

Semeadeira para plantio direto

5

Fonte: Casa da Agricultura de Jales, 2008.

 Levando em conta que nessas três microbacias existem 316 produtores, o total de produtores beneficiados chega a 43% do total. O ideal seria que fossem trabalhadas as 12 microbacias da região, assim, com certeza, a realidade do solo da região de Jales mudaria muito, pois se verificar-mos a tabela, veremos uma forte adesão dos agricultores à prática do terraceamento (55 dos 136 beneficiados).

Para isso, precisaria um maior apoio e um maior reconhecimento das lideranças políticas da região. Se todas as microbacias fossem atendidas, um passo muito grande seria dado na conservação do solo na região de Jales. Seriam 1258 proprietários de terra com a chance de poder fazer as mais diversas práticas conservacionistas na sua propriedade, e trabalhar numa perfeita sincronia com o meio ambiente. Tudo isso gastando 90% do total que iria gastar se fizesse sem apoio de ninguém.        

Foi realizado um estudo de caso em uma propriedade beneficiada pelo programa:

Analisando a figura 7, avistamos uma erosão em um estágio avançado na propriedade abaixo. Certamente se não fosse feito o terraceamento na propriedade acima (beneficiada pelo programa) essa erosão estaria em um estágio muito mais avançado. A propriedade estudada esta sobre um terreno inclinado. Então, toda a água da chuva que caia ali era escoada para baixo, chegando a uma velocidade muito alta, se juntando às águas provenientes de outras propriedades, provocando erosão. Esse tipo de problema é muito encontrado nas propriedades da região. O terraceamento teve que ser feito de uma maneira que ficasse bem próximo um do outro, pois o solo da propriedade é arenoso (susceptível à erosão, pois a quantidade de partículas argilosas é baixa) e a declividade do terreno é grande. Com o terraceamento realizado, a propriedade além de não contribuir para a erosão da propriedade abaixo, vai segurar muito mais água, o que irá acarretar em uma melhor condição da pastagem, além de ajudar a abastecer o lençol freático existente no subsolo da propriedade, pois a infiltração será bem maior.

O resultado seria bem mais satisfatório se o proprietário das terras onde estão encravadas as erosões, também realizasse uma reforma nos seus terraços, pois os que ali existem, estão estourados. Assim a erosão existente ficaria com seu crescimento anulado e poderia ser até tampada, pois ainda não houve o afloramento do lençol freático, e o proprietário poderia voltar a usar o terreno onde se encontra a erosão. Basta o proprietário fazer um requerimento junto à casa da agricultura de Jales, pois a sua propriedade também está inserida no programa de Microbacias Hidrográficas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a realização do presente trabalho, pode-se concluir que a mentalidade dos produtores rurais da região de Jales está mudando e a preocupação com a conservação dos solos dessa região está crescendo muito, visto que os agricultores estão começando a  usar práticas de conservação do solo como aliadas para uma maior produção e consequentemente uma maior lucratividade na sua lavoura, além de estar ajudando a preservar o ambiente em que vivem, para que no futuro outras pessoas possam usufruírem e sobreviverem do solo em que atualmente trabalham.

A preocupação em resolver questões relacionadas a esse tema propiciou a criação do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, pelo governo, com o intuito de promover metodologias de trabalho voltadas à adoção de medidas que busquem compatibilizar o uso do solo com as limitações particulares de cada território.

Conhecer todos os estágios da erosão e seus possíveis impactos sobre o meio ambiente, constitui um dos objetivos do estudo do solo e suas práticas de conservação.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GUERRA, Antônio José Teixeira. Erosão e Conservação dos Solos: conceitos, temas e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

GALETI, Paulo Anestar. Práticas de Controle à Erosão. Campinas: Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, 1984.

LEPSCH, Igo F. Formação e Conservação dos Solos. São Paulo: Oficina de textos, 2002.   

UNIFEV CÂMPUS CENTRO
Rua Pernambuco, 4196 - Centro
CEP 15500-006 - Votuporanga/SP
UNIFEV CIDADE UNIVERSITÁRIA
Av. Nasser Marão, 3069 - Pq. Industrial I
CEP 15503-005 - Votuporanga/SP
0800 015 0228
Telefones (17) 3405-9999
Fax: (17) 3422-4510
Web-Mail Unifev F.E.V. TV Unifev Ejunifev Rádio Unifev Portal Unifev Consulta Biblioteca