
Votuporanga, terça-feira, 22 de maio de 2012 O PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – oferece aos alunos de licenciatura uma bolsa de R$400,00. O bolsista deve dedicar, no mínimo, 12 horas semanais em escolas públicas de Educação Básica da cidade de Votuporanga. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública. Com essa iniciativa, o PIBID promove uma articulação entre a Educação Superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais.
Para fazer parte do programa, o aluno deve se inscrever no processo seletivo, obedecendo às datas dos editais específicos.
Poderão participar do processo de seleção de bolsistas alunos de todos os períodos das licenciaturas, desde que estejam regularmente matriculados no curso.
Observe abaixo o detalhamento (parcial) do Subprojeto do Curso de Letras:
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Nome da Instituição |
UF |
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UNIFEV – CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOTUPORANGA |
SP |
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Subprojeto de licenciatura em: |
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LETRAS |
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Coordenador de área do Subprojeto: |
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Nome: Eduardo César Catanozi |
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Departamento/Curso/Unidade: Coordenadoria do Curso de Letras – Câmpus Centro – Unifev |
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PLANO DE TRABALHO
Uma das dificuldades a ser superadas nos cursos de graduação, sobretudo no curso de Licenciatura em Letras, é vencer o hiato que existe entre as teorias aprendidas nas universidades e a prática da sala de aula, uma vez que o formado em Letras, muitas vezes, domina questões teóricas sobre a literatura, a linguística ou o ensino, mas não é capaz, depois de formar-se, de ministrar uma aula motivadora e com conteúdo. O docente, assim que abandona os bancos escolares e enfrenta a realidade das salas de aula, deve buscar alternativas metodológicas para minimizar o desinteresse dos alunos e suas limitações culturais.
Diante desse quadro, o subprojeto que ora se delineia vai ao encontro do projeto maior proposto pela Unifev intitulado “Alternativas metodológicas na formação de professores para a Educação Básica em uma perspectiva multidisciplinar”. Para que se atinjam plenamente os objetivos, serão necessárias reuniões constantes dos coordenadores de todos os subprojetos com a finalidade de que a multidisciplinaridade se efetive. As aulas de Língua Portuguesa são fundamentais no processo interdisciplinar, uma vez que proporciona a base do entendimento para todas as disciplinas, já que, sem a capacidade de intelecção e interpretação de textos, torna-se impossível fazer a decodificação de um enunciado matemático, de um processo químico ou biológico, ou, ainda, de se perceber a ideologia que subjaz um texto de história ou geografia. Mais do que juntar palavras em frases, o aluno do Ensino Médio deve ser capaz de comungar da cultura letrada, de correlacionar o conhecimento e de perceber que a divisão dos seus estudos em disciplinas é apenas uma questão epistemológica, já que o conhecimento se torna muito mais eficiente se um mesmo objeto pode ser visto de várias maneiras diferentes.
A leitura proposta nos Parâmetros Curriculares Nacionais não se restringe ao texto escrito: pelo contrário, amplia-se também aos textos não-verbais e aos textos orais, porquanto o aluno deve ser capaz de ler, adequadamente, charges, quadros, filmes, peças de teatro, músicas e, por que não, a linguagem corporal dos seus interlocutores. Se desejamos, realmente, construir uma escola cidadã, é preciso não nos fixar, nas aulas de Língua Portuguesa, no texto escrito, pois desde que a criança se inicia na interação verbal, ela o faz oralmente e, durante a vida inteira, esta continuará sendo sua modalidade comunicativa linguística predominante. Em termos de língua oral, a criança chega à escola já alfabetizada, pois constrói todos os tipos de texto de que necessita para se comunicar, mas cabe ao educador o papel de incentivar essa forma natural de expressão e mostrar-lhe que a diversidade das produções orais existe, principalmente, em função da situação em que o discurso se realiza. Dessa forma, o aluno tem de perceber que necessitará expressar-se verbalmente nas mais diversas situações e que, ao interagir com familiares e amigos, sua linguagem será uma e, com desconhecidos, outra.
O estudo da gramática normativa deve ser visto, então, não como um amontoado de regras que devem ser seguidas, mas como uma variante linguística de prestígio em determinadas situações, que poderá facilitar a comunicação e, consequentemente, viabilizar melhores condições de vida. Assim, o aluno perceberá que tem de usar as palavras e não ser, por elas, usado. Entretanto, percebe-se que a escola tem privilegiado a língua escrita em detrimento da oral, e, de certa forma, a desconsidera como variante da língua, desprezando os registros orais na descrição do idioma e supervalorizando a escrita, como se fosse o único veículo de comunicação.
Partindo dessas considerações, propomos que se utilize, em sala de aula, o maior número possível de textos orais em situações reais de uso, a fim de que o aluno perceba que a diversidade das produções orais existe em função da situação em que o discurso se realiza. Esse material pode ser obtido a partir da gravação de documentários, entrevistas televisadas ou fonadas, filmes, músicas, etc., desde que sejam do interesse do aluno, para que, posteriormente, ele possa criar o seu texto. Segundo João Wanderley Geraldi (O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1999), pesquisador da linguagem, para que uma pessoa produza um texto é preciso: a) ter o que dizer; b) ter uma razão para dizer o que se tem a dizer; c) ter alguém para dizer o que se tem a dizer; d) o locutor se constituir como tal; e) escolher as estratégias para realizar a, b, c e d. Se o professor tiver isso em mente, o aluno estará sempre motivado para criar diferentes tipos de textos (não restringir o sentido de texto à redação escolar) e não ficará preso à modalidade escrita. Além disso, o aluno poderá perceber que não precisa produzir textos somente para o professor, que normalmente acaba se tornando modelo maior de usuário da língua culta e que, geralmente, tem sua figura confundida com a de alguém autoritário, culto, superior e onisciente. Por fim, o professor deve promover, em sala de aula, atividades ligadas à retextualização – passagem da fala para a escrita e vice-versa -, processo que envolve uma série de operações complexas que interferem tanto no código quanto no sentido do texto original.
Todas as vezes que se pergunta a um aluno se ele conhece a língua portuguesa, ele responde que não, pois confunde a norma culta com domínio linguístico. Ainda, sempre que lhe perguntam se gosta de estudar língua portuguesa, também replica que não, pois as aulas, normalmente, são enfadonhas, priorizando respostas mecânicas em detrimento de um pensamento criativo, original.
È necessário, portanto, que os alunos dos cursos de Letras estejam preparados para encontrar alternativas metodológicas que sejam motivadoras, que não se limitem à reprodução de fórmulas e conceitos para que os seus futuros alunos possam também eles desenvolver a criticidade e a criatividade. O panorama histórico, social, político, tecnológico e cultural de nosso país mudou muito: essa é uma constatação. Contudo, a maioria das escolas e professores ainda insiste em copiar velhos paradigmas, focando o ensino na repetição de conteúdos, na metalinguagem e na resolução de perguntas propostas pelo professor ou por um livro didático. O aluno que apenas responde o que lhe é perguntado não se torna senhor do seu conhecimento, não aprende a fazer os seus próprios questionamentos, inserindo-se num processo de alienação cultural, no qual permanecerá por toda sua vida.
A acessibilidade ao ensino proposta pelo governo trouxe aos bancos escolares alunos de classes sociais menos favorecidas, que não possuem acesso à leitura, à informação e à tecnologia. Cabe à escola, portanto, promover a inclusão desse educando, sem que ele perca a sua identidade cultural, permitindo que ele se expresse adequadamente em diferentes meios. O aluno de Letras, futuro professor, deve perceber que não é um mero transmissor de conteúdos, mas um facilitador da construção do conhecimento, levando em consideração as múltiplas inteligências dos alunos, operando com o discente, e não sobre ele. Dessa maneira, o professor sentir-se-á mais realizado, uma vez que poderá crescer junto com os seus educandos. Para que possa atingir essa finalidade, deverá sempre observar os interesses de seus alunos, trazendo propostas de atividades criativas, dinâmicas e, sobretudo, prazerosas, valendo-se de variados gêneros textuais.
Torna-se imperioso ao docente em formação, pois, uma reflexão diária sobre a prática pedagógica e sobre seu papel na formação de um indivíduo cônscio de suas responsabilidades e valores sociais. O desenvolvimento deste subprojeto é uma possibilidade que os graduandos do curso de Letras têm de buscar, de maneira assistida, possibilidades de prática docente que não reproduzam velhos modelos, mas que se ancorem nas teorias sobre ensino. Com os alunos da escola pública, intenciona-se despertar o gosto pelos estudos linguísticos e literários, inserindo-os em um processo de letramento contínuo, que não tenha uma visão fragmentada do conhecimento, mas que consiga conjugar as diversas áreas do saber, em uma perspectiva multidisciplinar.
AÇÕES PREVISTAS
§ Seleção dos alunos do Curso de Letras e do supervisor das escolas campo de pesquisa para o desenvolvimento deste subprojeto.
§ Divulgação do projeto e subprojeto a todos os envolvidos.
§ Debates constantes com o coordenador do projeto e dos subprojetos da Unifev para que a proposta de ações multidisciplinares seja, de fato, executada.
§ Debates constantes dos coordenadores com os alunos bolsistas e com os supervisores das escolas campo de pesquisa e aplicação.
§ Organização de planejamento coletivo entre professores das escolas campo e alunos pesquisadores de atividades pedagógicas a serem desenvolvidas em sala de aula.
§ Desenvolvimento e aplicação de jogos lúdicos, como proposta metodológica, para a melhoria do aprendizado de redação, norma culta, ampliação de competências linguísticas e conhecimento literário.
§ Atividades interdisciplinares envolvendo a leitura e a escrita.
§ Promoção de plantão e reforço escolar.
§ Realização de saraus literários.
§ Realização de feiras científico-culturais.
§ Realização de cineclubes (exibição de filmes de arte e posterior debate).
§ Elaboração de artigo científico sobre as experiências do curso de letras no PIBID (reflexões metodológicas).
§ Análise e discussão com os alunos das escolas participantes do projeto dos últimos ENEM, SARESP, IDEB e PISA.
RESULTADOS PRETENDIDOS
Com o desenvolvimento deste subprojeto de Letras, parte constitutiva do projeto intitulado “Alternativas metodológicas na formação de professores para a Educação Básica em uma perspectiva multidisciplinar”, pretende-se:
§ Aprimorar a formação do futuro professor de Língua Portuguesa, possibilitando-lhe aplicar a teoria aprendida durante a graduação à prática docente.
§ Pesquisar novas metodologias de ensino de Língua Portuguesa para o ensino médio.
§ Melhorar o rendimento das escolas campo de pesquisa nos exames da educação básica.
§ Estreitar o diálogo entre as escolas campo de pesquisa e o Centro Universitário de Votuporanga.
§ Desenvolver, na prática, a multidisciplinaridade.
§ Ampliar o gosto dos alunos do ensino médio pelos estudos em língua portuguesa.
§ Desenvolver as competências na produção de textos em língua oral nos alunos do ensino médio.
§ Melhorar a eficiência da leitura e escrita dos alunos do ensino médio das escolas campo de pesquisa.
§ Maximizar o gosto pelo conhecimento e pela cultura de maneira geral.
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