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24 Fev 2026
PINGUE-PONGUE

Coordenação de Pesquisa da Unifev apoia projeto sobre cidades mais justas

Docente detalha como o apoio institucional transforma a investigação sobre vilas rurais e ferrovias em conhecimento prático para os alunos e para a região

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ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

Janaína Cucato é uma presença constante nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Agronômica da Unifev. Além das aulas, ela coordena o Núcleo de Pesquisa de Arquitetura (NAU), onde ajuda a articular o que os alunos produzem com as demandas reais do mercado e da sociedade.

Com uma caminhada que envolve o estudo de vilas rurais à análise de redes ferroviárias, a docente defende que a pesquisa só faz sentido quando sai do papel e gera impacto social. Nesta entrevista, ela explica como o suporte da Instituição é necessário para que o pesquisador consiga manter a exigência na precisão dos resultados sem perder o foco na prática.

Esta entrevista é uma iniciativa da Coordenação de Pesquisa da Unifev, que valoriza o protagonismo dos professores pesquisadores, dando luz aos projetos que estimulam a formação de novos talentos acadêmicos. 
Veja como foi essa conversa:  

Pergunta: Professora, como está dividida sua atuação na Unifev hoje?
Resposta: Sou docente nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Agronômica. Também estou à frente da Coordenação do Núcleo de Pesquisa do curso de Arquitetura e Urbanismo. 

Pergunta: Há quanto tempo você se dedica à docência e à pesquisa?
Resposta: Estou na docência desde 2010 e atuo como pesquisadora desde 2012. Mas, na verdade, meu envolvimento com pesquisa é mais antigo; em 2004, eu já trabalhava com estudos focados em Vilas Rurais, especificamente na Vila Carvalho.

Pergunta: O que despertou seu interesse em investigar o território da nossa região?
Resposta: Foi uma busca pelo desconhecido e o desejo de entender como a nossa região se formou. Minha história familiar pesou muito, já que o meio rural é onde meus pais sempre viveram e trabalharam. Na graduação, tive o incentivo fundamental dos professores Evanir Moro Peixoto e Gustavo Fava.

Pergunta: Como tem sido sua produção científica e onde esses trabalhos circulam?
Resposta: Inclusive, no momento, estou com uma aluna/ orientanda de Iniciação Científica (IC) desenvolvendo pesquisa com bolsa do Programa de Iniciação Científica Unifev (PIC/Unifev) e alguns estagiários participando do projeto da Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social), por meio de edital do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).
Durante o mestrado, fui bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e, depois de um tempo, a bolsa foi substituída pelo Programa Institucional de Qualificação e Capacitação Docente (PIQCD/Unifev). No doutorado, fui contemplada novamente com bolsa Capes, mas, por opção de continuar trabalhando, abri mão da bolsa e, mais uma vez, tive o apoio do PIQCD/Unifev. 

Pergunta: Qual linha de pesquisa você desenvolve atualmente na Unifev?
Resposta: Na Unifev, sou responsável pela linha de pesquisa “Estudo, Planejamento Territorial e a (Re)produção do Espaço". Essa linha permeia todas as minhas pesquisas, cuja ênfase é o planejamento urbano e territorial, sempre vinculado à expansão urbana e às transformações espaciais, considerando a dicotomia rural-urbano e campo-cidade.
No bojo das discussões das minhas pesquisas, concentram-se esforços no sentido de estudar as Vilas Rurais da Região Noroeste Paulista, bem como as estradas de ferro no interior do estado de São Paulo.
Na USP São Carlos, desde o mestrado e doutorado e, agora, como pesquisadora do grupo de pesquisa URBIS, meu trabalho está voltado para o planejamento e expansão urbana e produção habitacional de interesse social no estado de São Paulo.
Essas pesquisas também permeiam os trabalhos dos meus orientandos do curso de Arquitetura e Urbanismo Unifev.

Pergunta: Como a Coordenação de Pesquisa da Unifev e seus programas de fomento viabilizam esses estudos?
Resposta: O apoio é constante. Atualmente, oriento uma aluna com bolsa do PIC/Unifev e temos estagiários participando de projetos de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) via edital do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Além disso, tive o suporte fundamental do PIQCD/Unifev durante o meu doutorado, o que permitiu continuar trabalhando e pesquisando simultaneamente.

Pergunta: Quais os maiores desafios para quem faz pesquisa hoje?
Resposta: O maior desafio é conseguir dar notoriedade à pesquisa, tornando-a abrangente a todos os públicos, já que a publicação em anais de eventos ou revistas específicas da área acaba por selecionar o público leitor, não alcançando toda a sociedade e, muitas vezes, excluindo-a de debates sobre um espaço que ela mesma consome e produz.

Pergunta: Qual o seu principal aprendizado nessa jornada entre a teoria e a prática?
Resposta: Consegui integrar ensino, pesquisa e extensão. O objetivo maior é a produção social do espaço, seguindo o que propõe o Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001) para termos cidades mais justas e inclusivas. 

Pergunta: Algum projeto em especial marcou sua trajetória?
Resposta: Todos os projetos que orientei são importantes para mim, e também procuro deixar uma contribuição para a sociedade, fazendo valer a função social da minha profissão.
Contudo, se considerarmos a relevância pela dimensão e escala de abrangência, destaco o projeto “Espaço dormentes (...)”, sobre a Linha Férrea Araraquara, no qual eu e mais quatro alunos que orientei estudamos todas as estações dessa linha, em um percurso de quase 500 km realizados por estradas de terra. Nesse projeto, também foi relevante o estudo do processo de urbanização dos núcleos urbanos vinculados às estações..

Pergunta: Por que incentivar a iniciação científica (IC) logo na graduação?
Resposta: A IC tem relevância por colocar o discente em contato com a pesquisa, lançando mão de metodologias inclusive aplicáveis no mercado de trabalho, sobretudo quando se trabalha com pesquisa-ação, tão importante em muitos estudos, o que também define o caráter extensionista dessa pesquisa.

Pergunta: Que conselho você daria para o aluno que quer começar a pesquisar?
Resposta: Toda pesquisa passa por um processo, cujo início carece da formulação de um problema, seguido da especificação dos objetivos. Esses aspectos são relevantes para qualquer início de pesquisa e somente a partir desse panorama é que se pode dar sequência às demais etapas do processo, como justificativa, revisão de literatura, delimitação de cronograma, dentre outras questões relevantes. 

Pergunta: O que não pode faltar no perfil de um pesquisador?
Resposta: Todo pesquisador precisa gostar de pesquisar e se instigar com o desconhecido, buscando evidências, o que remete à obra de Carlos Ginzburg, Mitos, emblemas e sinais (um conjunto de ensaios), na qual o autor desenvolve o método do paradigma indiciário, inspirado em figuras como Freud, Sherlock Holmes e o crítico de arte Morelli, em que a descoberta se baseia mais na observação minuciosa de detalhes reveladores do que na dedução lógica convencional.

Pergunta: Como a pesquisa impacta diretamente na sua aula?
Resposta: A pesquisa, ao trabalhar metodologias e revisões bibliográficas, contribui para o desenvolvimento de trabalhos bem embasados, estimulando o pensamento crítico, articulando e orientando uma construção mais ativa do conhecimento.

Pergunta: Quais os planos para o futuro das suas investigações na Unifev?
Resposta: A ideia é fortalecer as pesquisas em andamento, não somente aprofundando-as, mas inserindo uma abordagem escalar mais ampla na lógica regional, valorizando também escalas menores, como a da edificação e a do próprio indivíduo.

Pergunta: Quem é sua referência na área?
Resposta: Chama-me a atenção um estudioso da cidade chamado Kevin Lynch. Ele foi e ainda é fundamental para o urbanismo e, desde os anos 1960, tem destacado como as pessoas percebem e constroem mentalmente a cidade, influenciando o planejamento urbano com o conceito de imagem da cidade a partir de aspectos e elementos físicos e sensoriais encontrados em todas as escalas. 

Pergunta: Complete a frase: “Fazer pesquisa é...”
Resposta: “...um gesto de humildade diante do desconhecido.” 
 

Assessoria de Comunicação
Paula Araújo
MTb 46.145/SP
E-mail: comunicacao@unifev.edu.br