Com suporte da Coordenação de Pesquisa, Profa. Dra. Lidiane Telini utiliza a Nutrição Clínica para melhorar a vida de pacientes renais e fundamenta a prática baseada em evidências na graduação
Dentro da Unifev, a ciência não se restringe aos artigos; é pensada para impactar o atendimento na ponta, diretamente na saúde da comunidade. Nessa conexão, entre o laboratório e o paciente, está a Profa. Dra. Lidiane Silva Rodrigues Telini, docente de Medicina e Nutrição. Com uma carreira de mais de duas décadas na docência e consolidada em seu doutorado pela Unesp, a nutricionista utiliza a estrutura da Coordenação de Pesquisa da Instituição como base para orientar novos talentos e manter o ensino local conectado ao que há de mais atual na Nutrição Clínica e na Nefrologia.
Lidiane defende que o suporte da Instituição, via editais e programas de iniciação científica, é o que dá ao aluno a chance de desenvolver autonomia e senso crítico antes mesmo de chegar ao mercado de trabalho. "A pesquisa exige planejamento e persistência", afirma a pesquisadora, reforçando que a organização da Unifev é o que sustenta a transformação de dúvidas de consultório em conhecimento aplicado.
Esse conteúdo faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela Coordenação de Pesquisa da Unifev, com o objetivo de incentivar a cultura investigativa entre os estudantes.
Acompanhe o bate-papo:
Pergunta: Área de atuação na Unifev?
Resposta: Atuo como docente nos cursos de Nutrição e Medicina.
Pergunta: Há quanto tempo você se dedica à docência e ao universo da pesquisa?
Resposta: Estou na sala de aula há 10 anos, mas minha trajetória na pesquisa começou há 22 anos, ainda na graduação. Tudo teve início com um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) prático em ambiente hospitalar e ganhou corpo na pós-graduação, no mestrado e no doutorado.
Pergunta: Quantas pesquisas/artigos já produziu?
Resposta: Publiquei diversos artigos em periódicos nacionais e internacionais nas áreas de Nefrologia e Nutrição Clínica, além de resumos em anais de congressos. Também orientei dezenas de TCC e participo da orientação de projetos de Iniciação Científica na Instituição.
Pergunta: Professora, o que despertou seu interesse pela ciência? E qual linha de pesquisa desenvolve atualmente?
Resposta: O contato com pacientes em hemodiálise durante o estágio hospitalar. Aquela vivência despertou minha curiosidade pela complexidade da doença renal crônica e a percepção de que eu precisava de aprofundamento científico para melhorar, de fato, o cuidado nutricional dessas pessoas.
Trabalho com Nutrição Clínica, avaliação e terapia nutricional, insuficiência renal crônica, doenças crônicas não transmissíveis, fisiopatologia e a integração entre ensino, serviço e comunidade.
Pergunta: De quais editais ou projetos financiados você já participou?
Resposta: Fui bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) durante a pós-graduação, mestrado e doutorado pesquisando restrição de sódio e inflamação em pacientes renais. Na Unifev, participo ativamente do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica. Recentemente, desenvolvemos um trabalho avaliando a sarcopenia por meio de ultrassom e força de preensão manual em pacientes em hemodiálise. É nesse ponto que a Coordenação de Pesquisa da Unifev é fundamental, viabilizando a estrutura para esses estudos.
Pergunta: Quais os maiores desafios no dia a dia do pesquisador? E os principais aprendizados?
Resposta: Lidar com as etapas operacionais, como a logística de coleta de dados, a espera por recursos e kits laboratoriais, além da rigidez de prazos e a organização das avaliações clínicas. Aprendi que a pesquisa exige planejamento, persistência, disciplina e paixão pelo conhecimento.
Pergunta: Um projeto do qual você tenha orgulho?
Resposta: Meu doutorado na Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp). Foi um ensaio clínico controlado e randomizado, com aplicação direta na prática clínica, o que exigiu uma coleta sistemática e uma análise de dados extremamente criteriosa.
Pergunta: Qual a importância da iniciação científica na graduação? E qual dica para o aluno que quer começar a pesquisar?
Resposta: É o momento em que o aluno aprende a questionar e buscar evidências. Ele entende que a prática precisa estar fundamentada na ciência, o que gera autonomia e maturidade profissional.
Procure um professor com quem você tenha afinidade temática, participe de grupos de estudo e comece pela leitura científica. O primeiro passo é sempre a curiosidade.
Pergunta: O que não pode faltar no perfil de um bom pesquisador?
Resposta: Curiosidade, ética, comprometimento e resiliência.
Pergunta: Como a pesquisa impacta a sua qualidade de ensino em sala de aula?
Resposta: Ela me mantém atualizada e promove um ensino baseado em evidências, aproximando o que é teórico da prática clínica real.
Pergunta: Quais temas você pretende explorar no futuro? Quem é sua inspiração na área?
Resposta: Tenho interesse em ampliar as investigações para temas emergentes na Saúde Pública, especialmente os que relacionam inflamação, fatores ambientais e qualidade alimentar. Atualmente me inspiro na Tatiana Melo; o trabalho dela mostra como a ciência pode ser aplicada para promover autonomia e transformação social.
Pergunta: Complete: “Fazer pesquisa é...”
Resposta: “...transformar perguntas em conhecimento e conhecimento em cuidado".