Trabalho científico da Profa. Dra. Tainá Pascoalato utiliza a estrutura da Coordenação de Pesquisa para transformar academia em inovação prática
A Profa. Dra. Tainá Fernanda Garbelim Pascoalato percorreu um caminho que muitos alunos da Unifev sonham. Formou-se na Instituição em 2017 e transformou sua curiosidade sobre o sistema elétrico em um doutorado internacional. Após uma temporada de pesquisa na Universidade de Lisboa/ Portugal, ela está de volta desde 2025, agora como docente nas graduações das Engenharias de Computação e Elétrica, e Arquitetura e Urbanismo. Na bagagem, Tainá traz a expertise de quem investiga fenômenos para tornar a rede de energia mais segura, utilizando o suporte da Coordenação de Pesquisa Unifev para conectar o meio acadêmico às complexidades da engenharia.
A docente destaca que o incentivo institucional sustenta a formação de profissionais com postura crítica para o mercado. "A pesquisa é o que permite tirar o aluno da teoria pura e levá-lo para a prática atual da engenharia", afirma.
Esta série de entrevistas é um espaço da Coordenação de Pesquisa para apresentar os professores que movimentam a ciência na Unifev. O objetivo é aproximar a comunidade dos estudos que fundamentam o ensino e preparam a nova geração de pesquisadores.
Acompanhe o bate-papo:
Pergunta: Qual é a sua área de atuação na Unifev?
Resposta: Sou docente nos cursos de Engenharia de Computação, Engenharia Elétrica e Arquitetura e Urbanismo. Além da sala de aula, sou integrante do Núcleo Docente Estruturante (NDE) nas Engenharias das quais leciono. Junto às turmas do 9º período de Elétrica e do 7º período de Computação atuo como tutora.
Pergunta: Há quanto tempo atua como docente e pesquisadora?
Resposta: Minha jornada na pesquisa começou há 8 anos, logo após me formar em Engenharia Elétrica pela Unifev, em 2017. Em 2018, iniciei meu mestrado e emendei no doutorado pela Unesp de Ilha Solteira, período que incluí um estágio de pesquisa no exterior de 6 meses na Universidade de Lisboa, em 2023. Concluí o doutorado em dezembro de 2024 e, em 2025 tive a alegria de retornar à Unifev, agora como docente, completando meu primeiro ano de dedicação ao ensino superior no último dia 13 de março.
Pergunta: Quantas pesquisa/artigos já produziu? O que despertou seu interesse pela pesquisa científica?
Resposta: Ao longo da minha formação, publiquei 10 artigos em periódicos internacionais de alto impacto e 15 trabalhos em congressos e simpósios nacionais e internacionais. Recentemente, já como docente da Unifev, publiquei um artigo na revista da Instituição e orientei dois resumos apresentados no Congresso Regional de Práticas Investigativas da Unifev (Unic) com meus alunos da Engenharia Elétrica.
Sempre soube que queria ensinar e entendi cedo que, para isso, a pesquisa precisaria caminhar junto à sala de aula. Na graduação, me encantei pela área de transmissão de energia. Ver meus professores pesquisando me mostrou que eu não precisava apenas aplicar a tecnologia que já existe; eu poderia criar e aprimorar soluções. Investigar fenômenos como as descargas atmosféricas para trazer mais segurança ao sistema elétrico foi o que definitivamente me motivou.
Pergunta: Qual linha de pesquisa você desenvolve atualmente?
Resposta: Mantenho o foco nos estudos de transitórios eletromagnéticos em linhas de transmissão, investigando como as características do solo influenciam essas linhas quando atingidas por descargas atmosféricas (tema do meu doutorado). Paralelamente, oriento um projeto de Iniciação Científica (IC) que estuda modelos de linhas de transmissão aplicados a fontes renováveis, buscando otimizar a integração dessas energias limpas na rede.
Pergunta: Já participou de editais ou projetos financiados? Quais?
Resposta: No mestrado, tive bolsa com o projeto focado em representação de linhas de transmissão trifásicas pelo CNPQ. No doutorado, fui bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) investigando a influência das características do solo nas respostas transitórias. Ainda pelo doutorado, fiz um estágio de pesquisa no exterior com bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe), também da Fapesp, na Universidade de Lisboa, em Portugal. Atualmente sou orientadora de iniciação científica com bolsa do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PICT) Unifev e a Coordenação de Pesquisa é fundamental para viabilizar o estudo de eficiência computacional em modelos de linhas para fontes renováveis.
Pergunta: Quais foram os maiores desafios na sua trajetória como pesquisadora? E os maiores aprendizados até agora?
Resposta: O primeiro desafio foi a representatividade; ser mulher em uma área majoritariamente masculina exige provar competência o tempo todo. Outro obstáculo é o estigma de que o pesquisador "apenas estuda", quando, na verdade, nosso trabalho sustenta a economia e salva vidas. Aprendi que a ciência exige resiliência, pois até o "erro" é um dado importante. Além disso, a vivência em Lisboa me mostrou que a colaboração entre diferentes culturas é o que realmente acelera a inovação.
Pergunta: Cite um projeto de pesquisa que você tem orgulho de ter feito parte?
Resposta: Sem dúvida, meu projeto de doutorado sobre a influência do solo nas respostas transitórias de linhas de transmissão. Ele foi o divisor de águas na minha carreira, gerando publicações citadas mundialmente e me permitindo trocar experiências com pesquisadores de renome que eu antes só conhecia por livros. Foi o projeto que consolidou minha identidade como pesquisadora.
Pergunta: Quais áreas ou temas você gostaria de explorar em pesquisas futuras?
Resposta: Pretendo continuar na área do meu doutorado, mas também quero focar na integração entre a elétrica e a computação. Quero explorar Inteligência Artificial aplicada à proteção de sistemas e novas linguagens de programação. Também tenho 5 orientações de TCC esse ano com os alunos da elétrica, nas áreas de transmissão, distribuição e qualidade de energia.
Pergunta: Como você enxerga a importância da iniciação científica na graduação?
Resposta: Vejo a iniciação científica como o momento em que o aluno deixa de ser apenas um espectador e passa a questionar o que aprende. Ela ensina a ter autonomia e a resolver problemas complexos. Mesmo que o estudante não queira ser pesquisador no futuro, essa bagagem de organização e pensamento analítico faz com que ele se destaque muito em qualquer empresa ou projeto que venha a participar.
Pergunta: Professora, que conselho você daria para o aluno que quer começar a pesquisar? O que não pode faltar no perfil de um bom pesquisador?
Resposta: Comece pelo que faz seus olhos brilharem na aula. Qualquer curiosidade pode virar um projeto, então minha dica prática é: não tenha receio de procurar pelos seus professores. Procure quem atua na área que você gosta e demonstre interesse; o papel do orientador é justamente transformar essa sua curiosidade em método científico.
Ter publicações relevantes é importante, claro, mas o perfil de quem pesquisa vai muito além disso. É preciso ser incansável na busca por respostas e ter um compromisso ético muito forte. No fim das contas, a humildade para aprender e a disciplina diária são o que garantem que a pesquisa seja confiável e útil para o mundo real.
Pergunta: Como a pesquisa impacta a qualidade do ensino na sala de aula?
Resposta: A pesquisa me incentiva a estar sempre estudando o que há de mais novo. Levar essa bagagem para a sala de aula faz toda a diferença, porque a gente sai da teoria pura e vai para a prática atual da engenharia. Isso prepara o aluno de verdade, dando a ele uma visão muito mais atualizada do mercado e das oportunidades que surgem na pós-graduação.
Pergunta: Um(a) cientista ou pesquisador(a) que te inspira?
Resposta: Tenho vários, mas cito três: o Prof. Dr. Bovolato, meu grande mentor na Unifev; meu grande amigo e parceiro de pesquisas Anderson Justo, e a Profa. Dra. Maria Teresa Correia de Barros, da Universidade de Lisboa, que é um exemplo de como unir inteligência, liderança feminina e simplicidade no ambiente acadêmico.
Pergunta: Complete a frase: “Fazer pesquisa é...
Resposta: Transformar a dúvida em inovação e trabalhar hoje para antecipar as soluções que o futuro exige”.