Coordenação de Pesquisa da Instituição evidencia a caminhada acadêmica do Prof. Dr. Epitácio José de Souza, destacando a solução de problemas para a cadeia produtiva
Com doutorado em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestrado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o agrônomo Prof. Dr. Epitácio José de Souza possui mais de 12 anos de comprometimento com a investigação científica e oito de atuação no ensino superior. Docente nos cursos de Engenharia Agronômica e Medicina Veterinária Unifev, ele reúne em sua carreira mais de 30 artigos publicados em periódicos, quatro capítulos de livros e quase 50 trabalhos apresentados em eventos acadêmicos.
Nesta entrevista, o pesquisador destaca como o uso de bioinsumos, o manejo do solo e a tecnologia aplicada ao agronegócio transformam a rotina de produção no campo. Ele analisa também o método científico para afastar soluções sem fundamentação técnica e aponta o incentivo proporcionado pela Coordenação de Pesquisa da Unifev para fortalecer a iniciação científica e preparar os estudantes para lidar com os desafios do mercado de trabalho.
O projeto faz parte das ações da Coordenação de Pesquisa da Unifev voltadas a identificar o trabalho dos docentes e aproximar a prática do ensino acadêmico, despertando o interesse dos estudantes pela ciência.
Acompanhe a entrevista na íntegra:
Pergunta: Área de atuação na Unifev?
Resposta: Atuo principalmente no curso de Engenharia Agronômica e faço parte do Núcleo Docente Estruturante (NDE), além de contribuir com a Medicina Veterinária, na unidade curricular de Forragicultura. Minhas áreas envolvem mecanização agrícola, tecnologia de aplicação, irrigação, conservação do solo e da água, plantas daninhas, hidráulica, cana-de-açúcar e pastagens.
Pergunta: Há quanto tempo você se dedica à docência na área de pesquisa?
Resposta: Como docente no ensino superior, atuo desde 2018. Como pesquisador, desde o início do doutorado em dedicação exclusiva iniciado em 2014, somando mais de 12 anos dedicados à pesquisa científica.
Pergunta: Quanta pesquisa/artigos já produziu?
Resposta: De acordo com o meu Lattes, são 31 artigos completos publicados em periódicos, 4 capítulos de livros e 46 trabalhos publicados em anais de eventos científicos, além de projetos de extensão, dezenas de orientações e bancas acadêmicas.
Pergunta: Professor, o que despertou seu interesse pela pesquisa científica? Qual linha de pesquisa você desenvolve atualmente?
Resposta: O meu grande incentivador foi o Prof. Dr. Simério Cruz, na Universidade Estadual de Goiás (UEG). Ele criou um grupo de estudo sem recurso algum e, por meio da pesquisa aplicada, ajudou um produtor rural a resolver um problema real na propriedade. Ali eu enxerguei na prática que a ciência é totalmente viável e tem o poder de transformar o seu entorno.
Hoje desenvolvo pesquisas ligadas à fitotecnia, ao manejo do solo e da água e ao uso de tecnologias aplicadas ao agronegócio. Gosto de trabalhar com inovação e projetos multidisciplinares, aproximando a agronomia de áreas como tecnologia, biologia e engenharia. Em sala de aula, procuro despertar nos alunos essa curiosidade pela pesquisa, mostrando que ela pode resolver problemas reais do campo.
Pergunta: Qual a importância da iniciação científica na graduação? E qual dica para o aluno que quer começar a pesquisar?
Resposta: Ela é totalmente transformadora, e digo isso por experiência própria. Na minha graduação na UEG, num curso integral e sem recursos, minha única ideia era ir para o mercado comercial ou consultoria. Tudo mudou quando um professor nos reuniu, sem bolsa ou incentivo financeiro, apenas pela vontade de aprender, para ler artigos, discutir metodologias e aplicar a ciência na nossa realidade. A iniciação científica é transformadora porque tira o aluno do comodismo e desenvolve competências que servem para qualquer carreira: disciplina, pensamento crítico, escrita, análise de dados e capacidade de propor soluções. Ela prepara o estudante para a vida acadêmica, e para atuar melhor no mercado, na liderança, na consultoria ou no empreendedorismo.
A primeira dica para esse começo é ter iniciativa. A pesquisa inicia quando o aluno decide sair da zona de conforto e procurar orientação. Depois disso, é fundamental buscar um professor que possa direcionar essa curiosidade e apresentar caminhos possíveis. A Unifev oferece boas oportunidades, como os editais de bolsas de iniciação científica, o Congresso Regional de Práticas Investigativas da Unifev (Unic) e a revista científica institucional; cabe ao estudante dar o primeiro passo e aproveitar esse ambiente.
Pergunta: Já participou de editais ou projetos financiados? Quais?
Resposta: Fui bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no mestrado, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); e no doutorado, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), via Capes e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também participei de um projeto de nanociência aplicada à física do solo, coordenado pela Profa. Dra. Marlene Cristina Alves, com parceria de instituições como a Embrapa. Atualmente, sigo estruturando novas propostas de pesquisa e pretendo submetê-las em editais de iniciação científica.
Pergunta: Quais os maiores desafios no dia a dia do pesquisador? E os principais aprendizados?
Resposta: Os maiores desafios sempre foram lidar com limitações de recursos, estrutura e tempo, além de manter equipes motivadas para pesquisar com dedicação. Fazer ciência no Brasil exige persistência. Mesmo assim, vejo a pesquisa como uma forma muito concreta de transformar dificuldades em soluções. Um exemplo marcante foi meu doutorado em nanociência, quando precisei sair da visão tradicional do solo e aprender a trabalhar em uma escala completamente nova para mim. A pesquisa ainda precisa ser mais valorizada no Brasil, mas vejo na Unifev iniciativas importantes de incentivo, como o Unic, a revista institucional e outras ações voltadas à produção científica. Para mim, pesquisar é também ensinar o aluno a fugir do "achismo" e a resolver problemas do dia a dia com base em evidências.
A paciência e o rigor foram os grandes aprendizados. A ciência exige muito trabalho, dedicação e um método estruturado. Mas o maior deles é não ter medo do que parece impossível. Com resiliência e esforço, a gente consegue desvendar os mistérios que a pesquisa nos traz e transformar desafios em conhecimento aplicado.
Pergunta: Um projeto de pesquisa que você tem orgulho de ter feito parte?
Resposta: Sem dúvida, a pesquisa do meu doutorado em nanociência foi um marco na minha formação. Mas, como docente aqui na Unifev, tenho um orgulho enorme dos projetos que desenvolvemos na área de fitotecnia focados no uso de bioinsumos. Destaco o trabalho que fizemos combinando bioestimulantes e bactérias (Bacillus) na cultura do feijão (cujo artigo estamos finalizando para publicação) e, mais recentemente, um projeto aplicando esses bioinsumos no manejo de pastagens. Os resultados têm sido bastante promissores, mostrando a força da pesquisa aplicada no campo e nos motivando a ampliar ainda mais os ensaios nessa linha.
Pergunta: O que não pode faltar no perfil de um bom pesquisador?
Resposta: Um bom pesquisador precisa ter curiosidade intelectual, disciplina metodológica, resiliência, ética e criatividade para resolver problemas. Meus alunos brincam muito comigo e dizem que o "Pita gosta de fazer uma gambiarra". Alguns podem ver esse termo de forma pejorativa, mas eu vejo com outros olhos, a pesquisa me ensinou que você nem sempre terá o equipamento mais caro ou a condição ideal, e é aí que entra a capacidade de improvisar, criar soluções de baixo custo e resolver o problema prático, seja com uma solução provisória ou permanente.
Ter essa capacidade de resposta e não ficar travado diante de uma limitação é essencial em qualquer profissão. Essa precisão e essa criatividade não valem apenas para o laboratório. Eles sustentam a atuação de quem será consultor, empreendedor, gestor ou professor. Em qualquer área, o nome do pesquisador, das pessoas envolvidas e da instituição precisa ser preservado com responsabilidade e capacidade técnica.
Pergunta: Como a pesquisa impacta a qualidade do ensino na sala de aula?
Resposta: De várias formas. Primeiro, porque a sensibilidade e o senso crítico de quem pesquisa ficam muito mais aguçados. A vontade de aprender se renova constantemente. Quando o professor e os alunos estão envolvidos em projetos de pesquisa, a forma de ver e vivenciar as aulas muda completamente, a teoria ganha vida, os debates ficam mais profundos e o aprendizado deixa de ser passivo para se tornar dinâmico e investigativo.
Pergunta: Quais áreas ou temas você gostaria de explorar em pesquisas futuras?
Resposta: Eu amo a agronomia e a sua função na produção de alimentos, fibras e sustentabilidade, mas vejo que o mundo hoje exige um olhar multidisciplinar. Não dá para viver isolado em uma única área. Por ter essa paixão por tecnologia e inovação, gostaria muito de explorar pesquisas interdisciplinares conectando o agronegócio a cursos como a Engenharia da Computação e outras engenharias.
O que para nós das agrárias é um conceito biológico do dia a dia pode ser um desafio de lógica incrível para o pessoal da TI, e a solução tecnológica que eles dominam pode ser a ferramenta que falta para inovarmos em produtos e processos no campo. Essa conexão entre tecnologia, inovação de produtos e agronegócio é o que mais quero explorar.
Pergunta: Um(a) cientista ou pesquisador(a) que o inspire?
Resposta: É difícil citar um único nome, pois no cenário das ciências agrárias tenho três grandes referências. Primeiramente, o Prof. Dr. Simério Cruz, que me tirou da inércia na graduação e fez com que eu enxergasse a ciência aplicada com outros olhos. Em segundo lugar, a Profa. Dra. Marlene Cristina Alves, minha orientadora no doutorado, cuja trajetória de vida e dedicação à ciência é profundamente inspiradora. E, no cenário nacional, a Dra. Mariangela Hungria (Embrapa/CNPq), uma cientista de caminhada marcante e contribuição surpreendente para a ciência brasileira. Na verdade, é o nosso Pelé das ciências agrárias.
Pergunta: Complete a frase: “Fazer pesquisa é...”
Resposta: Fazer pesquisa é transformar curiosidade em conhecimento e conhecimento em soluções que melhoram a vida das pessoas.